O 2020 e o debate literário nos rincões desse Brasil


 

2020 veio e parece nunca mais nos deixar. Um ano sisudo, áspero que nos tomou o que há de mais precioso do/ao humano: o encontro. Diante disso, nos reinventamos, e muitas dessas ‘aventuras’ ficarão, e já mudaram o cotidiano que escreve a vida.

Muitos acontecimentos se apresentaram e foram aprendidos de forma brusca e urgente, no entanto, muitos deles já necessários desde antes. Nada de romantismos à pandemia!, mas ela nos fez enxergar outros prismas e nos forçou a outras possibilidades desde o repensar o convívio até questões econômicas e sanitárias. Este texto, porém, se deterá a uma provocação ao campo da arte, mais especificamente ao literário, principalmente ao dos circuitos, eventos e debates sobre literatura que tiveram e estão se reinventando ao longo dos últimos meses, chegando aos mais distantes confins do Brasil através de transmissões virtuais, eventos e momentos, antes fechados aos locais dos eventos, geralmente nos grandes centros urbanos.

Nos últimos anos, já se expandia um movimento de interiorização dos debates literários com a multiplicação de eventos, como feiras, festas, mostras nos rincões do Brasil, e obviamente, já se expandia um movimento de acesso ao fazer literário contemporâneo com a massificação da internet e dos meios eletrônicos nas últimas décadas, mas nada comparado ao que aconteceu nos últimos meses. Dentro desses momentos (festas, festivais, bienais, mostras, centenas de lives diárias a conversar sobre literatura, além da EaD, que andou anos-luz nesse período e redescobriu-se), todos acontecendo abertamente por meio virtual, veio o acesso das principais pautas, ‘eventos’ e debates a toda e qualquer localidade com acesso à internet. Sim, nada substitui o encontro e muitos (ou todos) eventos perderam muito pela falta do estar-junto, mas para os autores das pequenas cidades do interior do Brasil, nem os debates, nem o encontro, aconteciam. E aí? Círculos e movimentos artísticos nesses pequenos lugares, até hoje, infelizmente são esporádicos, e por conta disso, os artistas que militam nessas regiões geralmente recebem os acontecimentos sempre a posteriori. Desse modo, do possível muito foi feito, e creio que muitas pessoas encontraram a literatura neste 2020, não as podemos perder, e mais que isso, precisamos sempre de outras mais.

Entendo que haverá um arrefecimento, logo que a doença for controlada, através da vacina, de todo esse boom de discussões e momentos como lives, mesas virtuais, visto a necessidade humana do encontro. Que falta um abraço, faz! Mas quantos encontros não fizemos nessas lives? Não podemos perder isso. Temos de somar, e creio que lutarmos para potencializar a democratização da literatura, leitura e do livro.

 

 

Texto publicado inicialmente no Portal Ver Agora em dezembro de 2020.

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